Aquela do dia 21

 

Eu sempre acreditei em luz. Se eu tivesse que selecionar ou descrever uma religião, seria a luz. Pra mim, cada pessoa carrega consigo um brilho próprio que faz questão de transparecer independente da sua intensidade.
Uns carregam essa luz no olhar, outros no sorriso e tem aqueles que abraçam com as palavras. Surrealmente, a minha sensibilidade facilmente capta essa gente.
Instantaneamente, me sinto confortável pra contar sonhos, medos, segredos. Eu chamo isso de sintonia. Sintonia é substantivo feminino que, no dicionário urbano Deborah Sampaio, tem a seguinte definição: “Quando a minha energia ou luz brinca com a sua.”.
Quando essa sintonia é perfeita, ela vira sinergia. A partir daí, essa troca de luz começa a gerar frutos: memórias.
Quando o silêncio não incomoda, quando os olhos se descansam, quando as pontas dos dedos tamborilam uma sobre as outras.
É essa troca de luz que basta.
É aquela sequência que eu amo:
energia
sintonia
sinergia

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Alerta Textão

 

Com 14 anos, comecei a ter aulas de história que realmente envolviam política. Era completamente avessa a ideias que eram aquelas que eu tinha aprendido desde pequena. Me recusava a ouvir e batia no peito dizendo que os outros eram loucos.
Anos e anos se passaram e eu reproduzi discursos um tanto machistas e odiosos para com aqueles que tinham ideias e pensamentos que divergiam dos “meus”.
Acontece que eu comecei a viver na pele. A ser proibida de sair pra baladinha de short, a ouvir que “beber na frente dos familiares e falta de respeito”, que não podia ir pra faculdade com tal roupa pois “chamaria a atenção”, que não podaria chegar depois das 5 em casa pois “não é comportamento de mulher direita”. E a revolta se transformou em curiosidade.
Me interessei por estudar mais a fundo movimentos que eu desconhecia e não sabia discutir a respeito. Me descobri feminista, me descobri defensora do amor, me descobri alguém mais pacífico.
Muito difícil, então, explicar as pessoas que me viram, por 20 anos, como alguém intolerante que eu mudei bastante. Muito difícil mostrar a elas o grande impacto positivo e diferença que isso fez e faz na minha vida.
É bonito ouvir antes de falar, é bonito ajudar, é bonito não atacar, é bonito se humanizar.

Zackeando

“Desculpe
Eu não sou equilibrado
Sou meio distraído e tropeço
Nos meus erros, pecados e paixões
Desculpe
Mas eu não me interesso pela perfeição
Ela é entediante e divina
E eu gosto do humano
Desculpe
Mas eu não ligo para intelectualidade
A inteligência que eu aprecio é aquela
Capaz de juntar as pessoas
Desculpe
Mas eu troco boates caras
Por um banquinho próximo ao mar
Onde eu posso ter um momento de amizade com um livro
Troco etiquetas de grife
Por uma camiseta cinza
Pronta para ser amassada por um abraço sincero
Desculpe
Se eu não fico impressionado
Com o seu papo sobre o mundo corporativo
Prefiro o corporativismo das pessoas sem gravata
Que sabem rir juntas
Desculpe
Mas ainda acredito no amor
E nos deliciosos clichês
Desculpe
Eu nunca fui bom em matemática
Por isso não separo o amor da paixão
Ou corpo da alma
Não decoro fórmulas
Decoro a vida
Desculpe
A felicidade é importante para mim
Assim como a tristeza”

Zack Magiezi

Encontro

Eu achava impossível aquela sensação de filmes quando a mocinha sai andando pela cidade com a saia esvoaçando e se sentindo uma fada.

Experimentei isso hoje depois de muito tempo.
Os últimos 21 anos da minha vida foram uma bagunça só. Eu sempre precisava estar fazendo algo pra me provar que estava feliz, que estava completa, que podia sorrir. Hoje, eu vi que eu preciso realmente de um tempinho ou até mesmo um tempão pra me mostrar que eu sou feliz comigo.
Não preciso provar pra ninguém que posso flutuar pela Rio Branco. Não preciso de uma música específica pra provar que eu estou finalmente na paz que eu procurei por anos.
É clichê sim, mas essa sensação é a mais gostosa do mundo. Óbvio que os percalços que eu encontrei até hoje são completamente responsáveis por esse encontro. Encontro meu comigo mesma. E faz um sentido absurdo.
Obrigada.

Dia 8 de Março

No dia 8 de março de 1857, operarias de uma fabrica de tecidos em Nova Iorque ocuparam a mesma pra reivindicar apenas melhores condições de trabalho. Afinal, 16 horas por dia não é pra qualquer um… Não houve compaixão. Mais ou menos 120 tecelãs morreram num ato de crueldade, trancadas e carbonizadas. Por elas e por todas, estamos “comemorando”.

Estamos ainda lutando, estamos querendo sempre mais. Porque merecemos mais! Estamos firmes e fortes. Desde de uma situação de assedio ate as ilusões amorosas. Estamos nos protegendo, estamos caindo e levantando. Estamos respirando, estamos apanhando e batendo. Estamos vivendo.

Somos únicas, temos um valor inestimável. Somos sexys, somos meninas. Somos filhas, mães, esposas. Somos duras na queda! Teimosas. Criaturas divinas capazes de tudo. Repito: TUDO. Não ha uma so coisa que não consigamos fazer. Ate xixi em pe se a gente quiser, a gente consegue. E nem é tão difícil assim.

Acho bonito quando alguém me prestigia hoje. Me faz ver que tudo o que meus pais me ensinaram, eu aprendi. “Você e incrivel”, dizem. E eu so agradeço. Por ter tido essa educação, por ter escolhido o caminho certo a ser seguido. Por saber quem sou, por tentar melhorar. Por conseguir cativar pessoas do bem.

E toda semana, vou no salão. Vira e mexe, sofro na depilação. Minha nossa, mas como é doloroso! Reclamo, bato o pe e saio de la dizendo “mulher sofre, ne!”. A recepcionista ja me conhece e responde com um sorriso acolhedor, como quem diz “estamos juntas”. E estamos. Eu, ela, você. Que bom!

Ainda falta muito pra termos a tal igualdade, eu sei. Mas a gente ta tentando e so tem uma coisa melhor que tentar: conseguir. E eu sei também que um dia a gente vai. Não vamos desistir nem abaixar a cabeça. Não vamos deixar qualquer um dizer que não podemos ou não devemos ou não iremos.

Feliz todo dia pra você que, assim como eu, tenta. Feliz todo dia pra você que tem orgulho da raça. Pra você que é complicada, pra você que é simples. Pra você que é delicada, pra você que não é tanto assim… Pra você que le sobre signos, pra você que não acredita em astrologia. Feliz todo dia pra voce que canta samba e MPB, pra voce que so ouve pop e rock. Pra voce que fala o que pensa, voce que guarda os sentimentos a sete chaves.

Feliz todo santo dia pra você que tem traumas, medos e falhas. Que tem virtudes, vitorias e um coração enorme. Feliz todo dia pra você que bate no peito e diz que é de verdade. Pra você que mete a cara e arrisca, pra você que não tem muita coragem. Pra você que é racional, você que é emocional. Pra você que dança ballet e pra você que luta boxe. Pra você que chora nos filmes de romance, que vibra com um de terror.

Feliz todo dia pra você que é doida por girassóis, pra você que ganha rosas vermelhas. Pra voce que grita e esperneia. Pra voce que é a maracujina em pessoa. Pra você que ama um homem, pra você que ama outra mulher. Pra você que levanta a sobrancelha quando algo não te agrada, pra você que engole sapos. Pra voce que é fitness, pra voce que come chocolate como se nao houvesse amanha. Pra voce que gosta de praia, voce que gosta de serra.

Feliz todo dia pra você que quer ter filhos, pra você que não quer casar por nada. Pra você que adora festa todo final de semana, pra você que prefere ficar em casa. Pra você que trabalha e estuda. Pra você que desabafa, ri, sonha, apaixona e se apaixona. Pra você que, acima de tudo, sabe SER.

Todas num jeito único e perfeito, todas mulheres.

 

– Por Allana Sá

Depois

Eu sou uma pessoa extremamente postergadora. Deixo tudo pra depois. “ah depois respondo” “depois falo” “depois faço” “depois como” “depois vou lá”. Nesse meio tempo até o dito “depois”, fico indagando, escrevendo, desenhando, rolando o feed do twitter, do facebook, do tumblr. Ou seja, faço tudo que poderia fazer depois de resolver o que deveria.

É aí que deixamos de fazer muita coisa que nos traria alegria.

Deixamos pra depois uma conversa amiga, que fosse para o bem, que fosse uma saída. Deixamos pra depois a troca de carinho, deixamos que a rotina fosse o nosso caminho, deixamos pra depois a busca de abrigo, deixamos de nos ver fazendo algum sentido. Amanhã, ou depois tanto faz, se depois for nunca mais, nunca mais. Deixamos de sentir o que a gente sentia, e que trazia cor ao nosso dia, deixamos de dizer o que a gente dizia, deixamos de levar em conta a alegria.Deixamos escapar por entre nossos dedos, a chance de traçar alguma coisa. Amanhã ou depois tanto faz, se depois for nunca mais, nunca mais.

Mas depois a gente resolve.

Lista das coisas lindas

Quando uma onda de coisa estranha te pega, a maior dica que eu posso oferecer é fazer uma Lista das Coisas Lindas.

A minha lista tem 10 itens lindos.

Chegar em casa cansada e sentar no braço do sofá pra tirar os sapatos, receber a festa da minha cachorra logo depois, acordar sem olheiras, ver casais na rua, ouvir The Script, Scracho e MUSE (nessa ordem), beber suco de laranja num dia quente (num gole só), abraços tão apertados que parece que levam sua dor embora, cafuné da minha mãe, receber elogios do meu pai e, por fim, sair de algum lugar sorrindo.

Bônus: dançar Sorry.